Dia da consciência negra

Dandara dos palmares e os refugiados

Desenho dee uma mulher preta de turbante com um bambu nas mãos como se estivesse se preparando para uma luta.
Dandara dos Palmares

– Mãe, o que são Flüchtlingen?

– Flüchtlingen?… Ah, refugiados!

– Refugiados? O que é isso?

– Uai, Keca? Primeiro, por que você quer saber disso?

– Porque na escola uma menina me perguntou: “Bist du eine Flüchtlinge?” E eu não sabia o que responder…

– Ah, filha. Então, refugiados. O nome parece já dizer algo, não? Fugir…

– Fugir. De que? Continue lendo “Dandara dos palmares e os refugiados”

folclore brasileiro

Cartinha para Keca

Ilustração
Adorei a cartinha! E não conhecia folhas aveludadas. Essas aqui se chamam Coleus.

Hoje eu recebi uma carta da tia Fabiana! Quis compartilhar com vocês um pouquinho sobre o que ela disse de folclore e das nossas brincadeiras!

***

“Olá, Keca! Hoje resolvi te escrever uma cartinha. Você não conheceu minha avó, mas, quando vi você fazer a brincadeira de adivinha com a florzinha do seu cabelo, lembrei demais dela! 

Minha avó amava ipês! Ipês e flores. Ela tinha tantas plantas lindas. Quando criança, eu brincava de me esconder debaixo das folhagens aveludadas, como quem joga um cobertor e cria um outro mundo num cantinho de casa. Você já fez tenda na sua sala? Eu fazia tendas no quintal, debaixo das plantas. Ninguém me achava.

O que eu mais gostava, não era exatamente das flores. Elas eram lindas, mas, gostava mesmo era do sussurro cantado. Minha vó sempre cantava baixinho algumas cantigas enquanto molhava as plantas. 

Era engraçado porque ela misturava cantigas de roda com parlendas. Era uma mistura bem maluquinha! Eu ouvia uma tal de vaca amarela que botava ovo amarelinho, depois comia feijão com arroz, e mais sete oito, comia biscoito. Eu ria muito, quietinha entre as folhas, das bagunças dela. Misturava todas as parlendas e ainda ria sozinha!

Acho muito legal quando você comenta lá no seu instagram sobre as parlendas. A gente fica achando que folclore é coisa de tradição que não muda, mas olha ele lá na internet!

Você sabia, Keca, que há muito tempo, quem estudava e falava sobre folclore, acreditava que ele deveria ficar ali paradinho, como estátua sem vida? Mas, hoje a gente sabe que não, não é? Folclore tá na vida, tá na cantoria, tá rodando na roda, tá no tutu de feijão!

E é assim, nesse gira gira que o folclore permanece. Faz da tradição uma mudança. É bom demais saber que você está levando a cultura brasileira para seus amigos! 

Espero continuar criando várias memórias afetivas com suas histórias, Keca!

Com carinho, 

tia Fabiana”

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Texto e imagem brincam no livro

Por Fabiana Pedroni

Me diga, quem é o autor do livro que está a ler?

Você, possivelmente, não terá dúvidas, dirá que é o escritor. Mas, e se tiver em mãos um livro-imagem, um álbum composto somente por imagens? Então, o autor é o ilustrador. Mas, e se for um livro ilustrado, quem é o autor, o escritor ou o ilustrador?

Estas perguntas não são inocentes. A confusão é tão extensa quanto a história do livro. Em manuscritos medievais, o texto precedia a imagem. Aquele que fazia o texto, demarcava onde a imagem estaria inserida. Por mais complexo que fosse o papel da imagem medieval, muitas vezes, a imagem era percebida como subordinada ao texto, mesmo que não o fosse. Essa herança de aparente subordinação nos influencia até hoje!

Quando falamos de livros infantis, livros que guardam qualidade de discurso entre texto e imagem, a autoria pode se tornar um dado burocrático. Escritor e ilustrador trabalham cada um em sua linguagem, mas, o resultado é tão harmônico, que não temos a prevalência de um sobre o outro.

Dessa forma, as ilustrações aparecem como uma linguagem visual que dialoga de diferentes formas com a linguagem verbal. A ilustração pode apresentar personagens, já desde a capa; pode compor a personalidade de um personagem; pode explicar o texto, frisar passagens; pode ir além do texto, propor novas narrativas; pode brincar com o texto, e até mesmo ignorá-lo!

Há uma infinidade de papeis da ilustração em um livro: função narrativa, de apresentação, de cena, de contextualização, de criar empatia com o leitor… Sim, muitas vezes é pela ilustração que o leitor se conecta afetivamente com um livro. Pode ser pela caracterização de um personagem, no modo como ele se articula pela página, ou até mesmo um detalhe, um brinquedo que o personagem carrega para todo lado e que você tinha quando era criança.

No livro “O Saci: uma história do folclore brasileiro”, você reparou no seguinte diálogo?

Desenho de um tamanduá com o nariz no formigueiro para colorir
Ilustração no livro O Saci

“Cada figura possui uma linha de recorte. Essas linhas são como formigas guias, mostram um caminho, mas você pode trilhar outros!” (texto de apresentação do livro O Saci)

“O texto a seguir é também trabalho de formiga. Juntas as palavras formam uma narrativa que é só o começo.” (texto de apresentação do livro O Saci)

As formigas, na ilustração do tamanduá, aparecem também como referência no texto de apresentação: são as formigas que guiam a tesoura do leitor ou metáfora para construção colaborativa, como num grande formigueiro!

Um livro é um todo e a ilustração, quando presente, tem papeis específicos que vai depender desse todo.

E aí, sobre este livro que você está lendo, como funcionam as imagens? Volte nelas e pense um pouquinho sobre como ela se encontra ou desencontra do texto e do restante do livro, depois conta pra gente! ❤ 🐜

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Dia da Língua Portuguesa!

Oi!! Vocês sabiam que hoje, dia 05 de novembro, é o Dia da Língua Portuguesa lá no Brasil?

Eu fiquei um pouco confusa porque eu achava que era dia 05 de maio, mas minha mamãe me disse que essa é a data que se comemora no mundo todo. O Brasil tem uma outra data especial, hoje, e Portugal também, dia 10 de junho.

São muitas datas porque a língua é muito importante! O português é falado por um tanto de gente, mais de 250 milhões de pessoas! Não sei quanto grande é isso, mas sei que é muuuito grande.

E a língua muda muito! Às vezes eu ouço aqui em casa umas palavras que sempre vem seguidas de um riso e a expressão “isso é palavra do tempo da vó”. E eu sei que tem vovós bem velhinhas. Quando conversei com tia Fabiana, ela me disse que “Palavras também envelhecem e morrem. Elas param de ser usadas, mas às vezes também ressuscitam, voltam ao uso. Por isso não tem um uso certo da língua, ela muda sempre!”.

Tia Camilla me disse que até mesmo os causos que a gente conta aqui no Projeto e nos #tbt lá no Instagram, já tiveram outros nomes. Há muitos anos, a gente falava de estória e hoje tudo virou história. Ela disse assim:

Ilustração. Keca, menina negra com cabelo curto, flor de ipê amarela no cabelo, faz pose de dúvida, com dedo na boca e olhar voltado para cima, direcionado à dois balões, onde encontramos as palavras: "História?" e "Estória?"Estória é o modo arcaico da palavra história. Segundo o dicionário Houaiss, data do século XIII e tem origem do story, que por sua vez vem do latim historia, ae. Estória existiu ao lado de istória e houve uma outra versão ainda, hestoria. Não havia uma grafia estabelecida ainda. Em 1919, o gramático João Ribeiro diferenciou o uso das duas versões. Estória para fatos fantasiosos e história para fatos reais. Mas, em 1949, houve uma reforma ortográfica e desde então a Academia Brasileira de Letras considerou desnecessária ter a forma escrita estória e recomendou o uso de história independente do contexto.”

Então, a gente deixou de usar estória para suar história porque não fazia mais sentido separar o real do irreal.

O jeito que a gente fala, o jeito que nós crianças falamos, também muda muito! Quando falo com minhas amigas, a gente se chama de “você”, na casa de uma amiga que é de família mineira, é “ocê”, mas já me disseram que antes existiu até um tal de “vosmicê”. Tem vez que a gente só diz um “ei” – “Ei, me passa a bola!”, imagina dizer “Vosmicê me dá a bola!” hahaha

Se a palavra envelhece e morre, como disse Tia Fabiana, é porque ela muda com o tempo, tipo sorvete que derrete. Não, tipo brinquedo à pilha que se ficar parado, estraga, tem que usar e brincar o tempo todo!

Eu adoro a língua portuguesa, tem umas palavras que gosto muito de falar “ipê”, porque é a flor que uso no meu cabelo e rima com Saci Pererê! Meu mais novo amigo!!

Também também a palavra Sapeca, é gostosa de falar, e rima com Keca! 😀

E vocês, que palavras vocês gostam na língua portuguesa?

 

 

folclore brasileiro, Livros infantis

O papel da ilustração no livro O Saci

Desenho de um tamanduá com o nariz no formigueiro para colorir
Sabem que bicho é esse? Conta nos comentários!

Oi pessoal! Hoje eu quero conversar com vocês sobre como os desenhos são tão importantes para nós crianças. Mesmo os desenhos nos livros. No livro “Alice no país das Maravilhas”, a Alice reclama logo no começo que o livro que ela estava lendo não tinha desenhos. E que chato um livro sem desenhos, não é mesmo? Eu concordo muito com a Alice. Mas vocês já pararam para pensar que muitas vezes a gente não presta atenção na importância que um desenho tem para um livro? Agora eu pergunto a você: Você sabe o nome do autor do livro predileto da sua criança? E você sabe o nome do ilustrador? Pois bem, essa é uma questão a se levar muito em consideração. O trabalho do ilustrador é muito importante também.

Desenho de uma moitinha com flores e um beija-flor
Olhem só o detalhe desse beija-flor, que fofuraaaa!!!!

Por isso se tem algo de legal no livro do Saci, é que a gente pode brincar de ser ilustrador também! A tia Kelly preparou não apenas os bonequinhos de fantoches de dedo, como vários elementos de cenário, como bichinhos, moitas, o fundo floresta, além dos personagens, que claro, são encantadores. A gente pode colorir, pode até fazer colagem, mosaico… A gente pode deixar a imaginação solta. Acho que vou começar a testar algumas coisas com meu livro aqui. Inclusive, tem também uma parte do livro onde podemos contar nossa própria história através de desenhos. Então eu espero que vocês soltem a imaginação de vocês e se divirtam com o livrinho tanto quanto eu estou me divertindo!

folclore brasileiro

A cultura que vive na brincadeira, sobre o livro O Saci

No post anterior, a Camilla Saloto falou um pouquinho sobre o livro “O Saci: uma história do folclore brasileiro”. Ela disse que ele não está pronto! Sim, a gente tem que brincar com o livro, criar histórias, recortar, colorir, brincar de teatrinho, pra fazer o livro ganhar sentido. Legal, não é?!

Hoje aconteceu lá no meu perfil do Instagram uma live com as três envolvidas no projeto que leva meu nome: a Camilla, a Kelly Abreu e a Fabiana Pedroni.

Agora vou trazer pra vocês um pouquinho de como a tia Fabiana entrou na brincadeira do projeto:

“Ah, Keca, eu entrei no projeto como a gente entra na cozinha da avó! Devagarinho, pegando uns biscoitinhos aqui, outro ali, e quando vi, já estava aprendendo a fazer bolo! Desde o começo do projeto, eu já sabia que ele existia, conversava muito com Camilla sobre ele, porque ela é minha amiga de infância ❤ Mas, eu não estava oficialmente no projeto, só, conversava sobre e acompanhava lá pelo instagram. Foi ótimo te conhecer, Keca!

Aí, quando Camilla e Kelly disseram que estavam trabalhando no livro, eu me ofereci para revisá-lo. Como se trata de um trabalho independente, toda ajuda, todo feedback e carinho é importante. Eu comecei como revisora do texto escrito pela Camilla. E que poesia linda! Depois, eu vi a montagem inicial do livro com as ilustrações, e aí não teve jeito, já estava no projeto! Eu estudo livros e ilustrações infantis. Nessa análise do material, começaram tantas trocas, que o projeto me cativou por completo.

Foi assim que virei a revisora, editora do livro, e também revisora aqui do blog. Como não consegui ficar quieta com minha felicidade em estar no projeto, escrevi o texto de apresentação que abre o livro aos leitores.

E esse é um ponto importante que eu queria comentar e não deu tempo na live de lançamento do livro: o projeto ‘Uai, Keca?’ lança a gente em uma série de desdobramentos porque a gente se envolve e se conecta com a proposta. Quando vejo seus posts no Instagram, Keca, eu fico pensando o quanto a cultura brasileira é importante no meu dia a dia. Às vezes a gente acredita que não, a isola num cantinho, sem conexão, deixa os causos e o folclore como algo externo, para se apreendido em um momento único. Não é assim que percebo a cultura e isso o projeto deixa muito claro em sua proposta: a cultura (as culturas) é pra ser vivida!

O livro O Saci não vai contar uma história do Saci, apenas. Nem vai trazer figurinhas para serem coloridas, apenas. Texto e imagem precisam de interação, precisam da gente, da nossa fala, do nosso riso, da brincadeira. É aí que a cultura se torna parte de nossa vivência e você, Keca, se torna ainda mais viva!”

 

Obrigada tia Fabi! Vocês querem saber mais sobre o livro e sobre o projeto? Me acompanhem aqui no Blog e lá no Instagram!

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Livro infantil brasileiro no exterior: O Saci, uma história do folclore brasileiro

No post anterior vocês acompanharam minha entrevista com o Saci. Lá ele menciona um livro que conta como é chato ser perguntado o tempo todo sobre o motivo dele ter apenas uma perna. E eu já estou com o livro em mãos!

No campo, pulava o Saci

Com uma perna, como sempre fez.

E o fazendeiro estava a assistir

Quis já saber os porquês.

Esse livro foi escrito por Camilla Saloto, ilustrado por Kelly Abreu, texto de apresentação, edição e revisão por Fabiana Pedroni. Ele é um livro 2 em um. Ele traz uma história muito cativante de um Saci que passeia pela floresta e pelo campo. A cada lugar pelo qual ele passa, ele encontra um personagem com quem mantém um diálogo. E esse gira em torno do motivo dele ter (apenas?) uma perna.

Continue lendo “Livro infantil brasileiro no exterior: O Saci, uma história do folclore brasileiro”
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Keca Entrevista – Saci

Saci, o amigo da onça! Uma entrevista

Keca: Eu não tenho nem roupa para receber o convidado da minha primeira entrevista! Mas tia @kellyabreuilustra fez uma mágica e, plim, estou de bruxinha. Agora sim! Bem-vindos ao primeiro Keca Entrevista! E meu primeiro convidado é uma excelente representação do que é ser brasileiro. Uma lenda indígena que ganha forma e corpo através da herança cultural europeia e africana (Obrigada tia @cami_causos por me ajudar com essas palavras complicadas😅). Sem mais enrolação, eu falo é do Saci!!!

Saci, seja bem-vindo. Espero que você não se importe por eu estar vestida de bruxinha, mas sabe como é, né? Outubro também é o mês do Halloween. 😬

Saci: Olá, Keca, oi, pessoal. Então, eu não me importo, não. Aliás, eu nasci há tanto tempo, mas tanto tempo, que nem calendário tinha ainda, eu nunca tive uma data de aniversário assim como meus amigos e colegas de folclore também não.  Aí um dia, uns homens brancos aí ficaram de implicância com o Dia das Bruxas e resolveram fazer uma lei para eu ter um dia meu, e escolheram logo o dia das bruxas. Quero aproveitar o espaço para deixar claro para minhas colegas bruxas, elas que vem aí de histórias de outros países mundo afora, que eu não tenho nada a ver com isso. Eu gosto das bruxas, elas são divertidas! Continue lendo “Keca Entrevista – Saci”

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Sejam bem-vindos!

Meu primeiro post!!! Oba!!!!!

Eu sou a Keca. Tenho 10 anos e nasci no Brasil. Morei já em várias cidades brasileiras e agora eu moro na Alemanha.

Desde que vim para cá, fiquei com vontade de manter contato com meus amigos do Brasil, mas também de conhecer e ter contato com outras pessoas que moram fora, o que minha mamãe chama de expatriados.

Minha mamãe fez uma pesquisa e descobriu que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 500 mil brasileiros moram fora do país. Já o Ministério das Relações Exteriores considera que a estimativa seja de 2,5 milhões de brasileiros expatriados. 4,4% desses milhões são de crianças! Imagino que sejam muitas! E eu sou uma dessas crianças.

Para que eu não esqueça nem o português, nem tantas histórias, resolvi começar meu Instagram e agora meu blog! Vou amar conversar com vocês por aqui também. E para começar nossa conversa, eu chamei um convidado muito especial para o post de amanhã!

Quem vocês acham que pode ser?

Para dar uma dica a vocês, corram lá no meu Instagram e vejam a foto do vendaval que postei por lá. Está ansioso? Então corra para nossa pasta de atividades. Lá tem muitos passatempos já para download gratuito!

Enquanto vocês pensam, aproveitem e se inscrevam aqui no blog.